sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Unidades hoteleiras de Lisboa nos melhores do mundo

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OPÇÃO TURISMO A 16ª edição dos World’s Best Awards, atribuídos pela revista norte-americana Travel+Leisure, integrou os hotéis Olissipo Lapa Palace e o Four Seasons Hotel Ritz nos 100 melhores hotéis do mundo. As mesmas unidades integram ainda a lista das 15 melhores “Large City Hotels” europeus.
O Hotel da Estrela, integra a secção “Best Deals”, como opção para alojamento numa escapadela a Lisboa.
Os World Best Awards premeiam anualmente os melhores do sector do turismo a nível mundial, numa votação efectuada pelos leitores daquela publicação.
Por seu turno, o Conde Nast Traveler Espanha 2011, integrou o Chafariz d’el Rey, em Lisboa, e The Oitavos, em Cascais, entre os 201 Melhores Hotéis do Mundo.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Armação de Pera...

No agosto algarvio de todas as enchentes, procure-se a Arte Náutica no lado mais sossegado do vasto areal de Armação de Pera. Sabores e vistas de mar conjugam-se com a passarada da Lagoa dos Salgados. 
Desfaça-se antes de mais o preconceito. Sim, a praia de Armação de Pera atrai muita gente, mas ao longo dos seus mais de 2 km, basta combater o “instinto gregário” que é como quem diz, evite-se a zona central da praia, frente à vila, e tudo será diferente.
Haverá gente, mas não multidões, e em compensação um areal imenso e um mar caloroso.
E é na zona menos agitada da praia de Armação de Pera que fica o restaurante Arte Náutica que estende o talento a uma ementa a variar de acordo com as estações. E por estas alturas, o peixe e o marisco serão as escolhas mais acertadas.
Aos sabores simples da grelha juntam-se as clássicas receitas da cozinha tradicional portuguesa, com o requinte de um espaço integrado no Vila Vita Parc Hotel, que gere o espaço.
A versatilidade do espaço, a que se costuma chamar luxo informal tem outras ofertas, entre saladas frescas e snacks sofisticados por afinal é verão um tempo em que os horários são mais livres e menos condicionados ao almoço e o jantar.
Outro dos aliciantes é o terraço, contando também o parque de estacionamento à disposição dos clientes e a vista esplendorosa sobre o mar.
São aconselhadas as reservas, em especial ao jantar e no caso de grupos familiares ou de amigos mais numerosos. Para tal está disponível o telefone 282 314 875.
Um mundo indeciso entre a terra e a água
Ali bem próximo fica a Lagoa dos Salgados, situada nos antigos sapais de Pera, um dos locais mais visitados do Barlavento algarvio por inúmeras espécies de aves.
É um mundo indeciso entre a terra e a água, já que na lagoa existem manchas de vegetação emergente que servem de refúgio à passarada que por ali se passeia.
Aqui já foram recenseadas cerca de 140 espécies, entre elas o caimão, a garça-real, o flamingo e o zarro castanho que vê nesta Reserva um dos dois únicos locais do país para nidificar.
Nas dunas próximas a vegetação que as segura consegue criar uma sinfonia de cores, escondendo por vezes as asas trémulas do mergulhão-pequeno ou do perna-longa.
A lagoa dos Salgados situa-se no troço final das Ribeiras de Espiche e de Alcantarilha, um sistema ecológico bastante diversificado.
Alia a extensa Praia Grande, protegida por um cordão dunar particularmente desenvolvido a zonas húmidas com grande valor paisagístico.
Trata-se do sapal e a Lagoa dos Salgados, a que se juntam formações geológicas singulares como a duna fossilizada, património rural que inclui moinhos de vento, manchas de vegetação natural e até o pequeno pinhal de Alcantarilha.
Um mundo encantatório que nos remete para um dia relaxante com experiencias “para mais tarde recordar”.

Barlavento

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Cruzeiros Enoturísticos na Baía dos Golfinhos - Wine Cruises in Dolphin Bay - Rota de Vinhos da Península de Setúbal / Costa Azul

19 de Agosto - Casa Agrícola Assis Lobo
Prova comentada pelo enólogo Rui Lobo

Para activar a visualização do cartaz desta iniciativa, desbloqueie a

visualização de imagens no seu programa de email


Passeios de barco no Estuário do Sado com provas de vinhos a bordo comentadas por enólogos das adegas da Península de Setúbal.

  • 19 Ago. - Casa Agrícola Assis Lobo - Rui Lobo
  • 26 Ago. - Herdade da Comporta - João Melo
  • 2 Set. - Venâncio da Costa Lima - Joana Vida

Outras sugestões 
    

  • Dias 25, 26 ou 27 de Agosto jante numa Pousada Histórica e assista ao espectáculo Dançarte In Castelo

    Poder criar e habitar o Castelo de Palmela, é um privilégio. Participar na história de num espaço emblemático, é um desafio. Partilhar a nossa arte com o público, é um gosto.
    In Castelo
    é o 7º espectáculo do ciclo IN OUT, criado para o Castelo de Palmela, um local onde a história se impõe, um local que conta histórias. Informações e Reservas: Cine Teatro S. João, Palmela, 212 336 630. A Rota de Vinhos da Península de Setúbal convida para uma prova de Moscatel de Setúbal no final do espectáculo.

    A Pousada do Castelo de Palmela propõe um buffet In Castelo. Valor: 20,00€ s/ bebidas. Informações e Reservas: Cine Teatro S. João, Palmela, 212 336 630 (contactos da bilheteira). Pagamento directo na Pousada do Castelo de Palmela.


     
  • Jantar vínico no dia 26 de Agosto!

    Participe no jantar vínico a realizar na Casa Ermelinda Freitas e sinta os vinhos da Península de Setúbal! Uma iniciativa Vinum Senses, organizada pela Câmara Municipal de Setúbal. Informações: Casa da Baía, Setúbal, 265 545 010 ou no site da Câmara Municipal de Setúbal. Reserve já!

     
     
  • Fins-de-Semana Gastronómicos da Fruta de Palmela

    Nos dias 2, 3 e 4 e 9, 10 e 11 de Setembro, não deixe de visitar um dos restaurantes aderentes a esta iniciativa e descubra saborosos menús confeccionados com Fruta de Palmela. Informações: Posto de Turismo de Palmela, 212 332 122 ou no site da Câmara Municipal de Palmela

     
     
  • Como provar Moscatel de Setúbal?

    Sabe a história do Moscatel de Setúbal? Sabe como se prova este vinho generoso? Visualize o vídeo e aprenda os princípios básicos da prova. Inserido num projecto pessoal de pós-graduação, este vídeo será avaliado também pelo número de visualizações.

domingo, 7 de agosto de 2011

Arribas del Duero. Aldeiadávila del Duero

Arribas del Duero. Aldeiadávila del Duero
Parque Natural Arribas del Duero que percorre a zona transfronteiriça do rio Douro ao longo de 120 quilómetros.

Aconselho este percurso:
Podemos entrar no Parque Natural Arribas del Duero, seguindo a N630 (Vilar Formoso) em direção a Salamanca. Cortar  para Vitigodino em Fuente de S. Esteban. De Vitigodino a Trabanca são pouco mais de 30 quilómetros. Seguir depois pelo Embalse Los Almendres em direção a Formoselle onde existe uma Casa do Parque.

Quase todas as aldeias atravessadas na Senda del Duero têm albergues e casa rurais para pernoitar.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O Senhor do Atlas

 

A cordilheira do Alto Atlas marroquino é uma longa muralha com 700 quilómetros de extensão, que constitui uma fronteira entre Marrocos atlântico e sub-tropical, e Marrocos continental e desértico.
Os seus cumes mais altos ultrapassam ou aproximam-se dos 4.000 metros, como são exemplo o Jbel Toubkal no Alto Atlas Ocidental, com 4.167 metros, o Jbel M’Goun no Alto Atlas Central, com 4.068 metros ou o Jbel Ayachi no Alto Atlas Oriental, com 3.757 metros de altitude.
O Alto Atlas é um mundo de montanhas, rios, lagos, planaltos, vales férteis e gargantas escarpadas, habitado por tribos berberes desde tempos milenares, que conservam a sua identidade pela distância e isolamento.
Para além de fronteira geográfica, o Alto Atlas sempre foi uma fronteira política, que separou as regiões sedentárias governadas pelo poder central, o blad al-makhzen (ou país da lei), das regiões nómadas auto-governadas pelas tribos, o blad as-siba (ou país dissidente).
Foi a última região de Marrocos a ser dominada durante a conquista Islâmica e a última a ser pacificada pelo colonialismo francês.
Esta é a história de um homem chamado Thami El Glaoui, qadi ou chefe da tribo Glaoua, conhecido como o Senhor do Atlas, e do seu papel ao lado das forças coloniais francesas durante a ocupação e pacificação do Sul de Marrocos.
A Kasbah de Telouet, “ninho de águia”do Glaoui
Vários autores defendem que os Glaoua terão a sua origem na região sub-sahariana, tendo-se estabelecido no Alto Atlas, na zona a Sul da Cidade de Marraquexe, após expulsarem as tribos locais, nomeadamente os Ait Telouet.
O seu poder inicia-se no século XVIII quando se assumem como “porteiros” do Atlas, controlando a sua travessia pelas caravanas vindas do Sul e taxando os seus produtos, primeiro na estrada do Tiz’n’Test, entre Marraquexe e Taroudant, posteriormente na estrada do Tiz’n’Tichka, entre Marraquexe e Ouarzazat.  O Tiz’n’Tichka era de longe a rota mais proveitosa, já que constituía a passagem das caravanas oriundas da região do Tafilalt, ponto de chegada a Marrocos das especiarias, ouro e marfim.
É assim que, em meados do século XIX estabelecem um souk e um caravanserai em Telouet, no Tiz’n’Tichka, onde, para além de procederem à cobrança de taxas às caravanas, exploram minas de sal e manganésio existentes no local. “Havia de tudo em Telouet, tâmaras, azeite, henna, café, produtos de beleza, mel, cereais.”
O seu reconhecimento oficial enquanto tribo dominante do Sul marroquino remonta ao ano de 1893, quando o Sultão Mulay Hassan fica retido por uma tempestade de neve nas montanhas do Alto Atlas e é salvo pelos Glaoua. Mulay Hassan designa El Madani El Glaoui como Califa dos Glaoua e seu representante em todas as regiões do Sul, conferindo-lhe o título de grão-vizir (primeiro ministro) e oferece-lhe simbolicamente um canhão alemão Krupp, hoje ainda em exposição na Kasbah de Taourirt em Ouarzazat. Ao seu irmão Thami, de 28 anos, concede o título de Pachá de Marraquexe.
O canhão dos Glaoua passa a ser o símbolo da sua superioridade guerreira. A tribo Glaoua, feudal e bélica por natureza, passa a dispor da artilharia para conquistar mais terras aos seus vizinhos.
A Kasbah de Taourirt em Ouarzazat . Do lado esquerdo, no canto do edifício, é visível o canhão Krupp oferecido por Moulay Hassan aos Glaoua
Este reconhecimento permite aos Glaoua não só controlarem oficialmente o comércio das caravanas e das tribos do Sul, como também a sua comercialização no grande souk de Marraquexe. Impõe-lhes também a responsabilidade de representarem o makhzen na região e o papel de exercerem a sua autoridade.
No ano de 1900 El Madani comanda uma operação militar para conquistar o Todra e o Tafilalt, mas é derrotado pela confederação das tribos Ait Atta.
Em 1912 é estabelecido o protectorado da França em Marrocos e os franceses tiram partido da hegemonia dos Glaoua no Sul do país.
Com a morte de El Madani sucede-lhe como qadi o seu irmão Haj Thami El Mezouari El Glaoui, que ficou conhecido como o Senhor do Atlas. O Glaoui, que tinha perdido o título de Pachá de Marraquexe nos anos que antecederam a instauração do Protectorado, é reconduzido no cargo pelas autoridades coloniais, tornando-se o representante da ocupação francesa no Sul até à independência de Marrocos em 1956.
Haj Thami El Glaoui
Aos olhos do Marechal Lyautey, Governador do Protectorado, o Glaoui será o pacificador do Sul.
A partir da Kasbah de Telouet organiza as suas acções militares contra as tribos rebeldes. Em 1912 faz uma nova tentativa falhada de derrotar os Ait Atta no Todra.
Nesta altura a estratégia militar da França para o Sul de Marrocos era a de utilizar os nativos para combater os rebeldes, organizando um exército de Harkas ou Goums, nome dado aos soldados marroquinos comandados por oficiais franceses.
De facto os franceses cedo percebem que não será com as suas tropas, nem mesmo com a temível Legião Estrangeira, que conseguirão dominar esta região, tão geograficamente isolada, topograficamente irregular e humanamente indomesticável.
Aldeia no Vale de Ourika
Várias bases e estruturas de ocupação são então criadas, sob a forma de Kasbahs e Ksars, em Ouarzazat, Skoura, Lgumt, Ait Seddrate, Tinghir e no vale do Draa. No território de cada tribo derrotada os Glaoua constroem uma Kasbah que alberga uma administração hierarquizada. Por esse motivo muitas das Kasbahs da região são conhecidas pelo nome de “Kasbah do Glaoui”.
Para as controlar são substituídos os imgharen, ou chefes tribais, e nomeados notáveis Glaouis ou homens da sua confiança escolhidos no seio das tribos locais, com a missão de gerir essas zonas e estabelecer a ligação entre a população local e o makhzen, neste caso a administração colonial.
Por sua vez os qaids (alcaides) Glaouis eram controlados pelo “oficial dos assuntos indígenas”, nomeado pelo ministério francês da guerra, que controlava toda a vida politica, social, económica e judicial da circunscrição de que estava encarregue.
Esta política permite obter melhores resultados sem percas de vidas francesas.

A Kasbah de Amerdihil em Skoura
Estas Kasbahs e Ksars são construções de terra crua, taipa ou adobe, muitas vezes em “taipa militar”, que integra no material a cal como forma de o tornar mais resistente. São estruturas fortificadas, construídas em altura, com poucas aberturas para o exterior, não só por questões térmicas, como também defensivas.
Constituem uma importação da arquitectura tradicional Yemenita, já que a região dos vales do Draa e do Dadés foram ocupadas no século XI por tribos Árabes Maaqil originárias do Yemen, após submeterem os berberes e os arabizarem.
A diferença tipológica entre a Kasbah e o Ksar é que a primeira é uma cidadela fortificada, portanto um conjunto de habitações agregadas, enquanto o segundo é um castelo, um edifício que constitui uma unidade construtiva.
Destes termos derivam as designações portuguesas Alcáçova e Alcácer.
A Kasbah de Ait Benhaddou, classificada pela UNESCO como Património Mundial
Mas a situação não é pacífica e a França colonial não consegue impor o seu poder através dos Glaoua. Se é verdade que nas áreas urbanas os qaids governam, como em Ouarzazat e Tinghir, nas regiões circundantes as tribos não se submetem, caso dos Ait Atta, Ait Seghruchen, Ait Mrghad, Ait Hadiddu e Ait Ysha.
Os Ait Atta, que são na verdade uma confederação de tribos, criada durante a ocupação da região pelos Maaqil do Yemen, assumem-se como a verdadeira resistência á política de pacificação. Sediados na zona do Todra inviabilizam a ocupação de todo o Sueste de Marrocos, nomeadamente do Tafilalt.
Em 1920 os franceses ordenam ao Glaoui que organize um ataque em força com tropas Harka. É enviado um exército de 8.000 homens e 6 peças de artilharia de montanha, que apesar de submeter os Ait Dadés, é derrotado pelos Ait Atta.
Após 4 anos de guerra os franceses percebem que os Harka não conseguirão pacificar a zona, instalando então em Ouarzazat um centro de operações com tropas mistas, com dependências em Telouet, Kalaat M’Gouna, Boumalne, Imiter, Agdz e Taliwine.
A partir desta altura a França irá utilizar a sua superioridade em armamento para iniciar uma guerra sem tréguas contra a resistência.
Kasbah em Kalaat M’Gouna
A intervenção directa do exército francês é decisiva. No início dos anos 30 o Tafilalt é ocupado pelas forças coloniais. A estratégia é cercar os Ait Atta e inviabilizar que recebam apoios de outras tribos.
Derrotados no Todra em 1931 os Ait Atta refugiam-se no Jbel Saghro, no Anti-Atlas, e capitulam em 1933 após a batalha de Bou Gaffer.
Bou Gaffer é um símbolo da resistência marroquina à ocupação estrangeira. O exército francês conta com 50.000 homens entre tropas regulares do Exército de Africa, Harkas e a
Legião Estrangeira, 40 aviões e artilharia. Do outro lado estão 1.000 Ait Atta, entre homens, mulheres e crianças. Os franceses precisam de 42 dias para os derrotarem.
A violência do ataque francês é visível nos rochedos de granito fragmentados pelos bombardeamentos de artilharia e da aviação. O terreno ainda hoje está repleto de obuses por deflagrar, que constituem uma ameaça permanente para a população local.
Bou Gaffer é também um símbolo da coragem da mulher amazigh. “De todas as guerras conhecidas, a mulher nunca tinha tido um papel tão proeminente e admirável como na batalha de Bou Gaffer. Ela assegura a retaguarda, prepara os víveres e as munições, procura água nas nascentes descobertas, apoia e mantém viva a chama de combater e resistir, admoesta os hesitantes, encoraja com “yuyus” estridentes que os ecos das montanhas amplificam…”
Kasbah de Ait Benhaddou
Apesar do cargo de Pachá de Marraquexe, o Glaoui vive a maior parte do tempo no seu ninho de águia de Telouet, uma Kasbah ricamente decorada em estilo Andalus, com acabamentos em mármore, estuques e painéis de azulejos, recheada de móveis de qualidade e tapetes do melhor gosto.
O poder do Glaoui traduz-se na enorme riqueza que acumula. Calcula-se que só em terras expropriadas aos seus legítimos proprietários o seu património tenha ultrapassado os 5.000 hectares, a juntar aos 3.500 hectares oferecidos pelo estado colonial.
Na sua vida social relaciona-se com a elite da administração colonial francesa e de figuras de estado de outras potências, como Winston Churchill, com quem joga golfe e bebe chá nos jardins do hotel Mamounia.
O colaboracionismo do Glaoui chega ao ponto de enviar em 1926 para o Rif 1.000 Harkas para combater as forças do nacionalista Abdelkrim El Khattabi.
O Vale do Dadés
O ano de 1953 marca o início da queda do Glaoui, ao conspirar com os franceses para exilar o Sultão Mohamed V. As relações do Sultão com a administração francesa tinham entrado em rota de colisão desde que proferiu o famoso discurso de Tânger em 1947, no qual reclama a independência de Marrocos. Mohamed V é exilado para a Córsega e depois para Madagáscar.
Em 1955 regressa do exílio e é recebido triunfalmente pela população. O Glaoui apresenta-lhe o seu pedido de perdão publicamente, o qual é aceite.
No ano seguinte Marrocos torna-se independente e Mohamed V o seu primeiro Rei.
Haj Thami El Mezouari El Glaoui morre nesse mesmo ano em Telouet vítima de cancro.
Após a sua morte a Kasbah de Telouet é pilhada.

Após a independência as Kasbahs da família do Glaoui foram nacionalizadas pelo estado marroquino, constituindo hoje um Património de inegável valor cultural e paisagístico, e contribuindo decisivamente para a promoção turística do Sul do país.
O seu valor suscita o interesse das autoridades e de inúmeras organizações internacionais para a sua recuperação, salvaguarda e valorização, caso de Ait Benhaddou classificada pela UNESCO como Património Mundial ou Taourirt recuperada integralmente.
Quanto a Telouet, continua votada ao abandono, parcialmente arruinada, como que penitenciando-se pela traição do Glaoui, personagem que fica na memória de Marrocos como o símbolo do colaboracionismo com a ocupação estrangeira. Paradoxalmente, a população residente no local continua fortemente arreigada à imagem do Glaoui e dos tempos de prosperidade de Telouet, considerando-o como um pai e um protector.
Bibliografia:
AMAHAN, Ali . “Mutations sociales dans le Haut Atlas : les Ghoujdama” . MSH, Rabat, 1998
EL MANOUAR, Mohamed . “L’organisation coloniale dans le Sud marocain : Glaoui, «bouclier» des forces colonials” . Le matin.ma, 2005
SAMAMA, Yvonne . “Fragilisation du pouvoir royal et émergence d’un pouvoir parallèle fort _ Le cas de Thami El Glaoui au Maroc (fin XIXe -milieu XXe siècles)”
“L’Histoire de Tinghir” . Tinghir on line, 2010
“Un Peuplement Ancien” . Imassine, 2008

Frederico Mendes Paula

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Muita história e belas praias em João Pessoa

Muita história e belas praias em João Pessoa A Praia do Cabo Branco é uma das mais movimentadas de João Pessoa 
 
A capital paraibana desponta como um forte destino de turismo no Nordeste brasileiro. Em 2010, cerca de 3 milhões de turistas visitaram a cidade, segundo a Empresa Paraibana de Turismo. A conquista de um espaço no disputado mercado turístico está fazendo com que o governo municipal invista na qualidade de vida  como um dos maiores atrativos do lugar, além de revitalizar espaços e inaugurar obras dando ares modernos à cidade.
É fácil gostar de João Pessoa. A cidade ainda hoje guarda características de um pequeno e bucólico município, tanto pelas dimensões geográficas quanto pela simpatia e carisma de seus moradores. Os guias falam com orgulho da música popular do estado: o forró. Alguns até chegam a arriscar sinônimos  engraçados como “lustra fivela” ou “rala coxa”.
Seus 723 mil habitantes se empenham para fazer da cidade um lugar aconchegante para receber os visitantes. O turismo está entre as atividades que mais crescem e geram empregos. Mais de 15 mil pessoas trabalham no setor só em João Pessoa. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o turismo agrega 5,4 % da população empregada. No estado são mais de 47 mil pessoas.
Mar limpo/  A preocupação com a limpeza vai da areia ao alto mar. A beleza das piscinas naturais de Picãozinho atrai muita gente na baixa maré, principalmente na alta temporada. Um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) prevê a limitação do acesso às piscinas naturais, garantindo a preservação dos corais localizados  a 1.850 metros da Praia de Tambaú.
O passeio pelas areias limpas da cidade é garantido desde a Praia do Bessa (última  em direção ao Norte) até a Barra de Gramame, de onde se tem uma vista encantadora da união entre o rio e o mar.
Música e artesanato na praia do Jacaré
Um passeio imperdível em João Pessoa é a praia de Jacaré, que na verdade é a margem do Rio Paraíba. Ao entardecer, as cores amarela e vermelha se entrelaçam no céu e refletem nas águas escuras do rio. Todos os dias, às 17h,  o músico e compositor paraibano Jurandy  executa o “Bolero de Ravel” com seu saxofone, fazendo o fundo musical para tornar o momento  inesquecível.
O espetáculo atrai moradores e turistas que lotam os vários bares à beira-rio. Para pegar uma boa mesa nos decks ou nos píeres, chegue cedo. Quem quiser curtir o show de um lugar mais calmo pode optar por um passeio de lancha por R$ 25. Embora os guias vendam a diversão como tendo 50 minutos, o passeio não dura mais do que 15 minutos.  No restante do tempo,  a embarcação fica parada perto dos bares para acompanhar o show de Jurandy.
Após o pôr-do-sol, prepare-se para as compras.  Na feirinha de artesanato é possível comprar bijuterias e outros artigos feitos de capim dourado, além de sapatos de couro, roupas e acessórios de algodão colorido e orgânico, redes, mantas, bolsas,  aviões e baús de conchas. Também há uma boa variedade de cachaças.
Tartarugas nas praias do centroO “Projeto Tartarugas Urbanas”  atua nas praias do Bessa e Intermares, área onde ocorre a desova da tartaruga de pente. Ao caminhar pelas praias é possível observar os ninhos desses animais.
A  população local garante a preservação.
Escritório de José Lins do RegoNo centro da cidade vale a pena conhecer a Fundação Espaço Cultural José Lins do Rego, famoso escritor paraibano, autor de Fogo Morto. O espaço abriga  escolas de dança e música, exposições e cinema.  No local também está um museu que conta com uma réplica do escritório do autor, com sua escrivaninha e máquina de escrever. A cópia é tão fiel que alguns turistas afirmam que “até sentem a presença do escritor”.

Edgley Delgado/Divulgação/ Secretaria de Turismo de João Pessoa

segunda-feira, 18 de julho de 2011

No paraíso de Vasco da Gama

Por Catarina Serra Lopes

Quilómetros de praias desertas, ilhas selvagens, corais e coqueiros. Perto da Ilha de Moçambique, num areal sem fim, a Fugas passou uns dias na costa onde Vasco da Gama desembarcou em 1498. Visitou a mesquita mais antiga de Moçambique, deu mergulhos, passeou de dhow, fez piqueniques de lagosta grelhada em ilhas desertas e caminhadas à beira-mar. Porque o paraíso existe, é preciso é encontrá-lo
Ilha de Moçambique: Património Mundial da UNESCO desde 1991, primeira capital do país homónimo, terra do povo macua. Sobre ela já muito se escreveu, se dissertou, se sonhou. Mesmo assim, continua a conseguir guardar (bons) segredos. Como as praias maravilhosas que se estendem numa costa a perder de vista, frente à ilha. Nomes como praia das Chocas ou praia da Carrusca são alguns dos tesouros locais que se mantêm praticamente inexplorados.

Uma água límpida, cor de coral, uma areia muito branca, coqueiros alinhados frente ao mar, a estenderem-se até onde o horizonte vai. Não há chapéus, não há espreguiçadeiras, não há apoios de praia a debitarem os últimos
hits. Não há vendedores ambulantes, mas sim paz. Um ou outro barco à vela ao fundo, um pescador solitário numa pequena piroga. Silêncio apenas entrecortado com o barulho do mar e o restolhar das folhas de palmeira. Quem disse que já não existem praias desertas?

Não é ao virar da esquina, mas vale a pena. O aeroporto mais próximo é o de Nampula e fica a duas horas de caminho. A paisagem vale o percurso. A terra encarnada a misturar-se com a vegetação muito verde, os mercados de beira de estrada, o pulsar da vida local.

Chegados à Ilha de Moçambique, através da ponte, a maneira mais fácil de alcançar a linha de costa é de barco. Dez minutos, mais ou menos, numa travessia que só apetece que termine num bom mergulho. Vê-se o fundo de coral, peixes multicolores e três pequenas ilhas desertas: Sete Paus, Goa e Sena.

Desembarcados, o único alojamento cinco estrelas que existe nesta costa junto à ilha inaugurou há menos de um ano. Chama-se Coral Lodge e fica na zona de Varanda, antes da Carrusca e das Chocas. Cinco quilómetros de praia privada. Nove quartos apenas, cada um é uma cabana, com direito a
deck, espreguiçadeiras e uma vista sem fim. Cinco são viradas para o mar, outras quatro para a lagoa, onde se pode fazer snorkeling.

Alexandra e o marido Bart, um casal de holandeses aventureiros, são os proprietários do
lodge. Uma ideia que os trouxe do frio para o calor africano, atrás de um sonho que se tornou realidade. "Não havia aqui nada para além de uma paisagem de sonho, de uma reserva natural belíssima, completamente inexplorada, quase sem toque de civilização", explica Alexandra. "Havia que criar pelo menos uma infra-estrutura de qualidade para que os poucos turistas que para aqui vêm pudessem ficar uns dias a desfrutar o sítio."

Ideia base: não estragar nada do ambiente envolvente, fazer um projecto integrado na paisagem, ser uma mais-valia para a terra e não o princípio do fim. Objectivo alcançado. No Coral Lodge nada choca, tudo está em equilíbrio perfeito com o ambiente. Desde os materiais utilizados, próprios da região - o mobiliário é todo feito de madeira de coqueiro - , às cabanas disfarçadas no meio da vegetação. Até no spa, localizado numa pequena palhota frente à lagoa, "os cremes utilizados são feitos à base da pasta usada pelas mulheres macuas para protegerem o rosto", acrescenta Alexandra.

Para passar os dias, não faltam propostas. Para lá da praia, que funciona tipo íman, Alexandra está pronta para levar os hóspedes a conhecer as redondezas e a sua história. "Afinal, foi neste preciso local que Vasco da Gama desembarcou no século XV", explica. "Toda esta zona tem um passado histórico muito rico, com uma grande mistura árabe e portuguesa." A começar pelas duas povoações mais próximas. A escassos quilómetros, por estradas de terra batida no meio de uma vegetação luxuriante, ficam Cabeceira Grande e Cabeceira Pequena. A primeira foi criada pelos portugueses, a segunda pelos árabes. Na primeira pode-se visitar a primeira igreja que os dominicanos construíram em Moçambique. Datada de 1579, continua a ser aqui que se celebra uma missa católica todos os domingos. A porta da entrada, imponente, é de madeira estilo indiano e veio de Goa, há muitos séculos, quando por aqui passavam os marinheiros em rota Portugal-Índia.

Perto ainda existe um poço onde, segundo a história, os navegadores portugueses se abasteciam de água fresca para os barcos que percorriam o litoral africano.

A igreja, no meio de coqueiros, parece cenário de filme. À porta, um grupo de mulheres locais trauteia músicas em dialecto. Sorriem envergonhadas à passagem de forasteiros. O sol está quente mas sente-se uma brisa, o cheiro a trópicos, a terra, a manga.

Perto da igreja, fica o que foi um dia o Palácio de Verão do Governador no século XVIII, e que continua a parecer cenário de filme de época colonial. Praticamente em ruínas, ainda mantém a aura. Nos grandes salões imaginam-se as festas de outrora, as varandas abertas sobre a paisagem, as escadarias imponentes, um pé direito que nos faz sentir insignificantes.

Totalmente diferente, Cabeceira Pequena é a paragem que se segue. Árabe dos pés à cabeça, conserva até hoje a primeira mesquita construída em Moçambique, há 600 anos. E palhotas e crianças a correr à passagem do jipe de Alexandra. E no meio do nada, um poço. "Era aqui que o Vasco da Gama vinha beber água", explica a holandesa.

Depois da visita histórica às povoações locais, nada melhor do que um passeio de
dhow - embarcação à vela, típica da região - rumo à ilha mais próxima. Sete Paus é o seu nome. Imprescindível: levar o equipamento de snorkeling. Se se quiser fazer mergulho, o Coral Lodge tem também o único centro credenciado da região da Ilha de Moçambique. Por perto há spots a não perder: nesta zona encontram-se no fundo do mar alguns barcos portugueses do século XVII.

Mas voltando à ilha de Sete Paus, a ideia do Coral Lodge é proporcionar aos seus clientes uma tarde a ver peixinhos e a apanhar banhos de sol com um toque a Robinson Crusoe dos tempos modernos. A ilha é deserta, mas não há necessidade de comer areia. E se é para ser uma experiência romântica e diferente, então que seja em grande estilo. Com lagosta grelhada, vinho branco gelado servido em copos de pé alto, toalha estendida à sombra, almofadas e guardanapos de pano. Rendidos? A ideia é mesmo essa.

Agora juntem-se mais uns jantares na praia, mesmo à beira-mar, à luz das velas, com peixe grelhado no momento. Uns pequenos-almoços de frutos exóticos,
scones e muffins. Uns passeios de canoa pelo mar fora. Uns dias de caminhadas pelo areal, pés descalços e água tépida. Uns entardeceres à vela, ao longo da costa, com champanhe a acompanhar. Paraíso? Há quem diga que é ainda mais do que isso.