quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Cruzeiros Enoturísticos na Baía dos Golfinhos - Wine Cruises in Dolphin Bay - Rota de Vinhos da Península de Setúbal / Costa Azul

19 de Agosto - Casa Agrícola Assis Lobo
Prova comentada pelo enólogo Rui Lobo

Para activar a visualização do cartaz desta iniciativa, desbloqueie a

visualização de imagens no seu programa de email


Passeios de barco no Estuário do Sado com provas de vinhos a bordo comentadas por enólogos das adegas da Península de Setúbal.

  • 19 Ago. - Casa Agrícola Assis Lobo - Rui Lobo
  • 26 Ago. - Herdade da Comporta - João Melo
  • 2 Set. - Venâncio da Costa Lima - Joana Vida

Outras sugestões 
    

  • Dias 25, 26 ou 27 de Agosto jante numa Pousada Histórica e assista ao espectáculo Dançarte In Castelo

    Poder criar e habitar o Castelo de Palmela, é um privilégio. Participar na história de num espaço emblemático, é um desafio. Partilhar a nossa arte com o público, é um gosto.
    In Castelo
    é o 7º espectáculo do ciclo IN OUT, criado para o Castelo de Palmela, um local onde a história se impõe, um local que conta histórias. Informações e Reservas: Cine Teatro S. João, Palmela, 212 336 630. A Rota de Vinhos da Península de Setúbal convida para uma prova de Moscatel de Setúbal no final do espectáculo.

    A Pousada do Castelo de Palmela propõe um buffet In Castelo. Valor: 20,00€ s/ bebidas. Informações e Reservas: Cine Teatro S. João, Palmela, 212 336 630 (contactos da bilheteira). Pagamento directo na Pousada do Castelo de Palmela.


     
  • Jantar vínico no dia 26 de Agosto!

    Participe no jantar vínico a realizar na Casa Ermelinda Freitas e sinta os vinhos da Península de Setúbal! Uma iniciativa Vinum Senses, organizada pela Câmara Municipal de Setúbal. Informações: Casa da Baía, Setúbal, 265 545 010 ou no site da Câmara Municipal de Setúbal. Reserve já!

     
     
  • Fins-de-Semana Gastronómicos da Fruta de Palmela

    Nos dias 2, 3 e 4 e 9, 10 e 11 de Setembro, não deixe de visitar um dos restaurantes aderentes a esta iniciativa e descubra saborosos menús confeccionados com Fruta de Palmela. Informações: Posto de Turismo de Palmela, 212 332 122 ou no site da Câmara Municipal de Palmela

     
     
  • Como provar Moscatel de Setúbal?

    Sabe a história do Moscatel de Setúbal? Sabe como se prova este vinho generoso? Visualize o vídeo e aprenda os princípios básicos da prova. Inserido num projecto pessoal de pós-graduação, este vídeo será avaliado também pelo número de visualizações.

domingo, 7 de agosto de 2011

Arribas del Duero. Aldeiadávila del Duero

Arribas del Duero. Aldeiadávila del Duero
Parque Natural Arribas del Duero que percorre a zona transfronteiriça do rio Douro ao longo de 120 quilómetros.

Aconselho este percurso:
Podemos entrar no Parque Natural Arribas del Duero, seguindo a N630 (Vilar Formoso) em direção a Salamanca. Cortar  para Vitigodino em Fuente de S. Esteban. De Vitigodino a Trabanca são pouco mais de 30 quilómetros. Seguir depois pelo Embalse Los Almendres em direção a Formoselle onde existe uma Casa do Parque.

Quase todas as aldeias atravessadas na Senda del Duero têm albergues e casa rurais para pernoitar.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O Senhor do Atlas

 

A cordilheira do Alto Atlas marroquino é uma longa muralha com 700 quilómetros de extensão, que constitui uma fronteira entre Marrocos atlântico e sub-tropical, e Marrocos continental e desértico.
Os seus cumes mais altos ultrapassam ou aproximam-se dos 4.000 metros, como são exemplo o Jbel Toubkal no Alto Atlas Ocidental, com 4.167 metros, o Jbel M’Goun no Alto Atlas Central, com 4.068 metros ou o Jbel Ayachi no Alto Atlas Oriental, com 3.757 metros de altitude.
O Alto Atlas é um mundo de montanhas, rios, lagos, planaltos, vales férteis e gargantas escarpadas, habitado por tribos berberes desde tempos milenares, que conservam a sua identidade pela distância e isolamento.
Para além de fronteira geográfica, o Alto Atlas sempre foi uma fronteira política, que separou as regiões sedentárias governadas pelo poder central, o blad al-makhzen (ou país da lei), das regiões nómadas auto-governadas pelas tribos, o blad as-siba (ou país dissidente).
Foi a última região de Marrocos a ser dominada durante a conquista Islâmica e a última a ser pacificada pelo colonialismo francês.
Esta é a história de um homem chamado Thami El Glaoui, qadi ou chefe da tribo Glaoua, conhecido como o Senhor do Atlas, e do seu papel ao lado das forças coloniais francesas durante a ocupação e pacificação do Sul de Marrocos.
A Kasbah de Telouet, “ninho de águia”do Glaoui
Vários autores defendem que os Glaoua terão a sua origem na região sub-sahariana, tendo-se estabelecido no Alto Atlas, na zona a Sul da Cidade de Marraquexe, após expulsarem as tribos locais, nomeadamente os Ait Telouet.
O seu poder inicia-se no século XVIII quando se assumem como “porteiros” do Atlas, controlando a sua travessia pelas caravanas vindas do Sul e taxando os seus produtos, primeiro na estrada do Tiz’n’Test, entre Marraquexe e Taroudant, posteriormente na estrada do Tiz’n’Tichka, entre Marraquexe e Ouarzazat.  O Tiz’n’Tichka era de longe a rota mais proveitosa, já que constituía a passagem das caravanas oriundas da região do Tafilalt, ponto de chegada a Marrocos das especiarias, ouro e marfim.
É assim que, em meados do século XIX estabelecem um souk e um caravanserai em Telouet, no Tiz’n’Tichka, onde, para além de procederem à cobrança de taxas às caravanas, exploram minas de sal e manganésio existentes no local. “Havia de tudo em Telouet, tâmaras, azeite, henna, café, produtos de beleza, mel, cereais.”
O seu reconhecimento oficial enquanto tribo dominante do Sul marroquino remonta ao ano de 1893, quando o Sultão Mulay Hassan fica retido por uma tempestade de neve nas montanhas do Alto Atlas e é salvo pelos Glaoua. Mulay Hassan designa El Madani El Glaoui como Califa dos Glaoua e seu representante em todas as regiões do Sul, conferindo-lhe o título de grão-vizir (primeiro ministro) e oferece-lhe simbolicamente um canhão alemão Krupp, hoje ainda em exposição na Kasbah de Taourirt em Ouarzazat. Ao seu irmão Thami, de 28 anos, concede o título de Pachá de Marraquexe.
O canhão dos Glaoua passa a ser o símbolo da sua superioridade guerreira. A tribo Glaoua, feudal e bélica por natureza, passa a dispor da artilharia para conquistar mais terras aos seus vizinhos.
A Kasbah de Taourirt em Ouarzazat . Do lado esquerdo, no canto do edifício, é visível o canhão Krupp oferecido por Moulay Hassan aos Glaoua
Este reconhecimento permite aos Glaoua não só controlarem oficialmente o comércio das caravanas e das tribos do Sul, como também a sua comercialização no grande souk de Marraquexe. Impõe-lhes também a responsabilidade de representarem o makhzen na região e o papel de exercerem a sua autoridade.
No ano de 1900 El Madani comanda uma operação militar para conquistar o Todra e o Tafilalt, mas é derrotado pela confederação das tribos Ait Atta.
Em 1912 é estabelecido o protectorado da França em Marrocos e os franceses tiram partido da hegemonia dos Glaoua no Sul do país.
Com a morte de El Madani sucede-lhe como qadi o seu irmão Haj Thami El Mezouari El Glaoui, que ficou conhecido como o Senhor do Atlas. O Glaoui, que tinha perdido o título de Pachá de Marraquexe nos anos que antecederam a instauração do Protectorado, é reconduzido no cargo pelas autoridades coloniais, tornando-se o representante da ocupação francesa no Sul até à independência de Marrocos em 1956.
Haj Thami El Glaoui
Aos olhos do Marechal Lyautey, Governador do Protectorado, o Glaoui será o pacificador do Sul.
A partir da Kasbah de Telouet organiza as suas acções militares contra as tribos rebeldes. Em 1912 faz uma nova tentativa falhada de derrotar os Ait Atta no Todra.
Nesta altura a estratégia militar da França para o Sul de Marrocos era a de utilizar os nativos para combater os rebeldes, organizando um exército de Harkas ou Goums, nome dado aos soldados marroquinos comandados por oficiais franceses.
De facto os franceses cedo percebem que não será com as suas tropas, nem mesmo com a temível Legião Estrangeira, que conseguirão dominar esta região, tão geograficamente isolada, topograficamente irregular e humanamente indomesticável.
Aldeia no Vale de Ourika
Várias bases e estruturas de ocupação são então criadas, sob a forma de Kasbahs e Ksars, em Ouarzazat, Skoura, Lgumt, Ait Seddrate, Tinghir e no vale do Draa. No território de cada tribo derrotada os Glaoua constroem uma Kasbah que alberga uma administração hierarquizada. Por esse motivo muitas das Kasbahs da região são conhecidas pelo nome de “Kasbah do Glaoui”.
Para as controlar são substituídos os imgharen, ou chefes tribais, e nomeados notáveis Glaouis ou homens da sua confiança escolhidos no seio das tribos locais, com a missão de gerir essas zonas e estabelecer a ligação entre a população local e o makhzen, neste caso a administração colonial.
Por sua vez os qaids (alcaides) Glaouis eram controlados pelo “oficial dos assuntos indígenas”, nomeado pelo ministério francês da guerra, que controlava toda a vida politica, social, económica e judicial da circunscrição de que estava encarregue.
Esta política permite obter melhores resultados sem percas de vidas francesas.

A Kasbah de Amerdihil em Skoura
Estas Kasbahs e Ksars são construções de terra crua, taipa ou adobe, muitas vezes em “taipa militar”, que integra no material a cal como forma de o tornar mais resistente. São estruturas fortificadas, construídas em altura, com poucas aberturas para o exterior, não só por questões térmicas, como também defensivas.
Constituem uma importação da arquitectura tradicional Yemenita, já que a região dos vales do Draa e do Dadés foram ocupadas no século XI por tribos Árabes Maaqil originárias do Yemen, após submeterem os berberes e os arabizarem.
A diferença tipológica entre a Kasbah e o Ksar é que a primeira é uma cidadela fortificada, portanto um conjunto de habitações agregadas, enquanto o segundo é um castelo, um edifício que constitui uma unidade construtiva.
Destes termos derivam as designações portuguesas Alcáçova e Alcácer.
A Kasbah de Ait Benhaddou, classificada pela UNESCO como Património Mundial
Mas a situação não é pacífica e a França colonial não consegue impor o seu poder através dos Glaoua. Se é verdade que nas áreas urbanas os qaids governam, como em Ouarzazat e Tinghir, nas regiões circundantes as tribos não se submetem, caso dos Ait Atta, Ait Seghruchen, Ait Mrghad, Ait Hadiddu e Ait Ysha.
Os Ait Atta, que são na verdade uma confederação de tribos, criada durante a ocupação da região pelos Maaqil do Yemen, assumem-se como a verdadeira resistência á política de pacificação. Sediados na zona do Todra inviabilizam a ocupação de todo o Sueste de Marrocos, nomeadamente do Tafilalt.
Em 1920 os franceses ordenam ao Glaoui que organize um ataque em força com tropas Harka. É enviado um exército de 8.000 homens e 6 peças de artilharia de montanha, que apesar de submeter os Ait Dadés, é derrotado pelos Ait Atta.
Após 4 anos de guerra os franceses percebem que os Harka não conseguirão pacificar a zona, instalando então em Ouarzazat um centro de operações com tropas mistas, com dependências em Telouet, Kalaat M’Gouna, Boumalne, Imiter, Agdz e Taliwine.
A partir desta altura a França irá utilizar a sua superioridade em armamento para iniciar uma guerra sem tréguas contra a resistência.
Kasbah em Kalaat M’Gouna
A intervenção directa do exército francês é decisiva. No início dos anos 30 o Tafilalt é ocupado pelas forças coloniais. A estratégia é cercar os Ait Atta e inviabilizar que recebam apoios de outras tribos.
Derrotados no Todra em 1931 os Ait Atta refugiam-se no Jbel Saghro, no Anti-Atlas, e capitulam em 1933 após a batalha de Bou Gaffer.
Bou Gaffer é um símbolo da resistência marroquina à ocupação estrangeira. O exército francês conta com 50.000 homens entre tropas regulares do Exército de Africa, Harkas e a
Legião Estrangeira, 40 aviões e artilharia. Do outro lado estão 1.000 Ait Atta, entre homens, mulheres e crianças. Os franceses precisam de 42 dias para os derrotarem.
A violência do ataque francês é visível nos rochedos de granito fragmentados pelos bombardeamentos de artilharia e da aviação. O terreno ainda hoje está repleto de obuses por deflagrar, que constituem uma ameaça permanente para a população local.
Bou Gaffer é também um símbolo da coragem da mulher amazigh. “De todas as guerras conhecidas, a mulher nunca tinha tido um papel tão proeminente e admirável como na batalha de Bou Gaffer. Ela assegura a retaguarda, prepara os víveres e as munições, procura água nas nascentes descobertas, apoia e mantém viva a chama de combater e resistir, admoesta os hesitantes, encoraja com “yuyus” estridentes que os ecos das montanhas amplificam…”
Kasbah de Ait Benhaddou
Apesar do cargo de Pachá de Marraquexe, o Glaoui vive a maior parte do tempo no seu ninho de águia de Telouet, uma Kasbah ricamente decorada em estilo Andalus, com acabamentos em mármore, estuques e painéis de azulejos, recheada de móveis de qualidade e tapetes do melhor gosto.
O poder do Glaoui traduz-se na enorme riqueza que acumula. Calcula-se que só em terras expropriadas aos seus legítimos proprietários o seu património tenha ultrapassado os 5.000 hectares, a juntar aos 3.500 hectares oferecidos pelo estado colonial.
Na sua vida social relaciona-se com a elite da administração colonial francesa e de figuras de estado de outras potências, como Winston Churchill, com quem joga golfe e bebe chá nos jardins do hotel Mamounia.
O colaboracionismo do Glaoui chega ao ponto de enviar em 1926 para o Rif 1.000 Harkas para combater as forças do nacionalista Abdelkrim El Khattabi.
O Vale do Dadés
O ano de 1953 marca o início da queda do Glaoui, ao conspirar com os franceses para exilar o Sultão Mohamed V. As relações do Sultão com a administração francesa tinham entrado em rota de colisão desde que proferiu o famoso discurso de Tânger em 1947, no qual reclama a independência de Marrocos. Mohamed V é exilado para a Córsega e depois para Madagáscar.
Em 1955 regressa do exílio e é recebido triunfalmente pela população. O Glaoui apresenta-lhe o seu pedido de perdão publicamente, o qual é aceite.
No ano seguinte Marrocos torna-se independente e Mohamed V o seu primeiro Rei.
Haj Thami El Mezouari El Glaoui morre nesse mesmo ano em Telouet vítima de cancro.
Após a sua morte a Kasbah de Telouet é pilhada.

Após a independência as Kasbahs da família do Glaoui foram nacionalizadas pelo estado marroquino, constituindo hoje um Património de inegável valor cultural e paisagístico, e contribuindo decisivamente para a promoção turística do Sul do país.
O seu valor suscita o interesse das autoridades e de inúmeras organizações internacionais para a sua recuperação, salvaguarda e valorização, caso de Ait Benhaddou classificada pela UNESCO como Património Mundial ou Taourirt recuperada integralmente.
Quanto a Telouet, continua votada ao abandono, parcialmente arruinada, como que penitenciando-se pela traição do Glaoui, personagem que fica na memória de Marrocos como o símbolo do colaboracionismo com a ocupação estrangeira. Paradoxalmente, a população residente no local continua fortemente arreigada à imagem do Glaoui e dos tempos de prosperidade de Telouet, considerando-o como um pai e um protector.
Bibliografia:
AMAHAN, Ali . “Mutations sociales dans le Haut Atlas : les Ghoujdama” . MSH, Rabat, 1998
EL MANOUAR, Mohamed . “L’organisation coloniale dans le Sud marocain : Glaoui, «bouclier» des forces colonials” . Le matin.ma, 2005
SAMAMA, Yvonne . “Fragilisation du pouvoir royal et émergence d’un pouvoir parallèle fort _ Le cas de Thami El Glaoui au Maroc (fin XIXe -milieu XXe siècles)”
“L’Histoire de Tinghir” . Tinghir on line, 2010
“Un Peuplement Ancien” . Imassine, 2008

Frederico Mendes Paula

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Muita história e belas praias em João Pessoa

Muita história e belas praias em João Pessoa A Praia do Cabo Branco é uma das mais movimentadas de João Pessoa 
 
A capital paraibana desponta como um forte destino de turismo no Nordeste brasileiro. Em 2010, cerca de 3 milhões de turistas visitaram a cidade, segundo a Empresa Paraibana de Turismo. A conquista de um espaço no disputado mercado turístico está fazendo com que o governo municipal invista na qualidade de vida  como um dos maiores atrativos do lugar, além de revitalizar espaços e inaugurar obras dando ares modernos à cidade.
É fácil gostar de João Pessoa. A cidade ainda hoje guarda características de um pequeno e bucólico município, tanto pelas dimensões geográficas quanto pela simpatia e carisma de seus moradores. Os guias falam com orgulho da música popular do estado: o forró. Alguns até chegam a arriscar sinônimos  engraçados como “lustra fivela” ou “rala coxa”.
Seus 723 mil habitantes se empenham para fazer da cidade um lugar aconchegante para receber os visitantes. O turismo está entre as atividades que mais crescem e geram empregos. Mais de 15 mil pessoas trabalham no setor só em João Pessoa. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o turismo agrega 5,4 % da população empregada. No estado são mais de 47 mil pessoas.
Mar limpo/  A preocupação com a limpeza vai da areia ao alto mar. A beleza das piscinas naturais de Picãozinho atrai muita gente na baixa maré, principalmente na alta temporada. Um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) prevê a limitação do acesso às piscinas naturais, garantindo a preservação dos corais localizados  a 1.850 metros da Praia de Tambaú.
O passeio pelas areias limpas da cidade é garantido desde a Praia do Bessa (última  em direção ao Norte) até a Barra de Gramame, de onde se tem uma vista encantadora da união entre o rio e o mar.
Música e artesanato na praia do Jacaré
Um passeio imperdível em João Pessoa é a praia de Jacaré, que na verdade é a margem do Rio Paraíba. Ao entardecer, as cores amarela e vermelha se entrelaçam no céu e refletem nas águas escuras do rio. Todos os dias, às 17h,  o músico e compositor paraibano Jurandy  executa o “Bolero de Ravel” com seu saxofone, fazendo o fundo musical para tornar o momento  inesquecível.
O espetáculo atrai moradores e turistas que lotam os vários bares à beira-rio. Para pegar uma boa mesa nos decks ou nos píeres, chegue cedo. Quem quiser curtir o show de um lugar mais calmo pode optar por um passeio de lancha por R$ 25. Embora os guias vendam a diversão como tendo 50 minutos, o passeio não dura mais do que 15 minutos.  No restante do tempo,  a embarcação fica parada perto dos bares para acompanhar o show de Jurandy.
Após o pôr-do-sol, prepare-se para as compras.  Na feirinha de artesanato é possível comprar bijuterias e outros artigos feitos de capim dourado, além de sapatos de couro, roupas e acessórios de algodão colorido e orgânico, redes, mantas, bolsas,  aviões e baús de conchas. Também há uma boa variedade de cachaças.
Tartarugas nas praias do centroO “Projeto Tartarugas Urbanas”  atua nas praias do Bessa e Intermares, área onde ocorre a desova da tartaruga de pente. Ao caminhar pelas praias é possível observar os ninhos desses animais.
A  população local garante a preservação.
Escritório de José Lins do RegoNo centro da cidade vale a pena conhecer a Fundação Espaço Cultural José Lins do Rego, famoso escritor paraibano, autor de Fogo Morto. O espaço abriga  escolas de dança e música, exposições e cinema.  No local também está um museu que conta com uma réplica do escritório do autor, com sua escrivaninha e máquina de escrever. A cópia é tão fiel que alguns turistas afirmam que “até sentem a presença do escritor”.

Edgley Delgado/Divulgação/ Secretaria de Turismo de João Pessoa

segunda-feira, 18 de julho de 2011

No paraíso de Vasco da Gama

Por Catarina Serra Lopes

Quilómetros de praias desertas, ilhas selvagens, corais e coqueiros. Perto da Ilha de Moçambique, num areal sem fim, a Fugas passou uns dias na costa onde Vasco da Gama desembarcou em 1498. Visitou a mesquita mais antiga de Moçambique, deu mergulhos, passeou de dhow, fez piqueniques de lagosta grelhada em ilhas desertas e caminhadas à beira-mar. Porque o paraíso existe, é preciso é encontrá-lo
Ilha de Moçambique: Património Mundial da UNESCO desde 1991, primeira capital do país homónimo, terra do povo macua. Sobre ela já muito se escreveu, se dissertou, se sonhou. Mesmo assim, continua a conseguir guardar (bons) segredos. Como as praias maravilhosas que se estendem numa costa a perder de vista, frente à ilha. Nomes como praia das Chocas ou praia da Carrusca são alguns dos tesouros locais que se mantêm praticamente inexplorados.

Uma água límpida, cor de coral, uma areia muito branca, coqueiros alinhados frente ao mar, a estenderem-se até onde o horizonte vai. Não há chapéus, não há espreguiçadeiras, não há apoios de praia a debitarem os últimos
hits. Não há vendedores ambulantes, mas sim paz. Um ou outro barco à vela ao fundo, um pescador solitário numa pequena piroga. Silêncio apenas entrecortado com o barulho do mar e o restolhar das folhas de palmeira. Quem disse que já não existem praias desertas?

Não é ao virar da esquina, mas vale a pena. O aeroporto mais próximo é o de Nampula e fica a duas horas de caminho. A paisagem vale o percurso. A terra encarnada a misturar-se com a vegetação muito verde, os mercados de beira de estrada, o pulsar da vida local.

Chegados à Ilha de Moçambique, através da ponte, a maneira mais fácil de alcançar a linha de costa é de barco. Dez minutos, mais ou menos, numa travessia que só apetece que termine num bom mergulho. Vê-se o fundo de coral, peixes multicolores e três pequenas ilhas desertas: Sete Paus, Goa e Sena.

Desembarcados, o único alojamento cinco estrelas que existe nesta costa junto à ilha inaugurou há menos de um ano. Chama-se Coral Lodge e fica na zona de Varanda, antes da Carrusca e das Chocas. Cinco quilómetros de praia privada. Nove quartos apenas, cada um é uma cabana, com direito a
deck, espreguiçadeiras e uma vista sem fim. Cinco são viradas para o mar, outras quatro para a lagoa, onde se pode fazer snorkeling.

Alexandra e o marido Bart, um casal de holandeses aventureiros, são os proprietários do
lodge. Uma ideia que os trouxe do frio para o calor africano, atrás de um sonho que se tornou realidade. "Não havia aqui nada para além de uma paisagem de sonho, de uma reserva natural belíssima, completamente inexplorada, quase sem toque de civilização", explica Alexandra. "Havia que criar pelo menos uma infra-estrutura de qualidade para que os poucos turistas que para aqui vêm pudessem ficar uns dias a desfrutar o sítio."

Ideia base: não estragar nada do ambiente envolvente, fazer um projecto integrado na paisagem, ser uma mais-valia para a terra e não o princípio do fim. Objectivo alcançado. No Coral Lodge nada choca, tudo está em equilíbrio perfeito com o ambiente. Desde os materiais utilizados, próprios da região - o mobiliário é todo feito de madeira de coqueiro - , às cabanas disfarçadas no meio da vegetação. Até no spa, localizado numa pequena palhota frente à lagoa, "os cremes utilizados são feitos à base da pasta usada pelas mulheres macuas para protegerem o rosto", acrescenta Alexandra.

Para passar os dias, não faltam propostas. Para lá da praia, que funciona tipo íman, Alexandra está pronta para levar os hóspedes a conhecer as redondezas e a sua história. "Afinal, foi neste preciso local que Vasco da Gama desembarcou no século XV", explica. "Toda esta zona tem um passado histórico muito rico, com uma grande mistura árabe e portuguesa." A começar pelas duas povoações mais próximas. A escassos quilómetros, por estradas de terra batida no meio de uma vegetação luxuriante, ficam Cabeceira Grande e Cabeceira Pequena. A primeira foi criada pelos portugueses, a segunda pelos árabes. Na primeira pode-se visitar a primeira igreja que os dominicanos construíram em Moçambique. Datada de 1579, continua a ser aqui que se celebra uma missa católica todos os domingos. A porta da entrada, imponente, é de madeira estilo indiano e veio de Goa, há muitos séculos, quando por aqui passavam os marinheiros em rota Portugal-Índia.

Perto ainda existe um poço onde, segundo a história, os navegadores portugueses se abasteciam de água fresca para os barcos que percorriam o litoral africano.

A igreja, no meio de coqueiros, parece cenário de filme. À porta, um grupo de mulheres locais trauteia músicas em dialecto. Sorriem envergonhadas à passagem de forasteiros. O sol está quente mas sente-se uma brisa, o cheiro a trópicos, a terra, a manga.

Perto da igreja, fica o que foi um dia o Palácio de Verão do Governador no século XVIII, e que continua a parecer cenário de filme de época colonial. Praticamente em ruínas, ainda mantém a aura. Nos grandes salões imaginam-se as festas de outrora, as varandas abertas sobre a paisagem, as escadarias imponentes, um pé direito que nos faz sentir insignificantes.

Totalmente diferente, Cabeceira Pequena é a paragem que se segue. Árabe dos pés à cabeça, conserva até hoje a primeira mesquita construída em Moçambique, há 600 anos. E palhotas e crianças a correr à passagem do jipe de Alexandra. E no meio do nada, um poço. "Era aqui que o Vasco da Gama vinha beber água", explica a holandesa.

Depois da visita histórica às povoações locais, nada melhor do que um passeio de
dhow - embarcação à vela, típica da região - rumo à ilha mais próxima. Sete Paus é o seu nome. Imprescindível: levar o equipamento de snorkeling. Se se quiser fazer mergulho, o Coral Lodge tem também o único centro credenciado da região da Ilha de Moçambique. Por perto há spots a não perder: nesta zona encontram-se no fundo do mar alguns barcos portugueses do século XVII.

Mas voltando à ilha de Sete Paus, a ideia do Coral Lodge é proporcionar aos seus clientes uma tarde a ver peixinhos e a apanhar banhos de sol com um toque a Robinson Crusoe dos tempos modernos. A ilha é deserta, mas não há necessidade de comer areia. E se é para ser uma experiência romântica e diferente, então que seja em grande estilo. Com lagosta grelhada, vinho branco gelado servido em copos de pé alto, toalha estendida à sombra, almofadas e guardanapos de pano. Rendidos? A ideia é mesmo essa.

Agora juntem-se mais uns jantares na praia, mesmo à beira-mar, à luz das velas, com peixe grelhado no momento. Uns pequenos-almoços de frutos exóticos,
scones e muffins. Uns passeios de canoa pelo mar fora. Uns dias de caminhadas pelo areal, pés descalços e água tépida. Uns entardeceres à vela, ao longo da costa, com champanhe a acompanhar. Paraíso? Há quem diga que é ainda mais do que isso.

sábado, 16 de julho de 2011

'Viajar é simples': portal nacional destaca belezas e atrativos do 'Caminhos do frio'


http://www.paraiba.com.br/static/images/noticias/normal/1310740545830-bananeiras-pb.jpg

O portal Viajar é Simples, especializado em turismo e um dos mais acessados no país, tem como destaque na edição deste mês a rota cultural “Caminhos do frio”, no Brejo da Paraíba. A matéria assinada pela jornalista Sylvia Barreto, que esteve visitando a região, chama atenção das pessoas que procuram um local com baixas temperaturas no inverno. A reportagem mostra que na Paraíba, a 136 km da Capital, na cidade de Bananeiras, também se encontram “as delícias da época mais fria do ano”.

Nas páginas do site a jornalista destaca os serviços oferecidos aos visitantes em Bananeiras. Ela mostra como chegar lá, onde ficar, onde comer, além dos atrativos turísticos da região.

O texto apresenta as belezas naturais do Brejo, sua riqueza cultural, o processo de fabricação de cachaça e a gastronomia.

A cobertura jornalística recebeu apoio logístico da Empresa Paraibana de Turismo (PBTur), Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-PB), Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e Federação do Comércio (Fecomércio).

O portal destaca ainda a programação da sexta edição do “Caminhos do frio – Rota cultural”, que ocorrerá no período de 18 deste mês a 28 de agosto. Seis municípios estão integrados ao programa: Areia, Serraria, Alagoa Nova, Pilões, Alagoa Grande e Bananeiras. Todos têm características de clima e geografia semelhantes e celebram a cultura local durante o evento.

A presidente da PBTur, Ruth Avelino, disse que empresa tem intensificado ações para reforçar a divulgação junto aos veículos de comunicação do País para buscar a mídia espontânea. Essa estratégia, segundo a executiva, tem sido um sucesso.

 
Secom-PB

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Grecia - muito proximo do paraíso

Texto de Jeffrey Tayler | Fotografia de Julien Capmeil
Não é fácil lá chegar. Não há hotéis de luxo à sua espera (embora isso dependa daquilo que considera luxo). Mas a recompensa? Desaparecer em quatro pequenas fatias de um paraíso helénico perdido, as Pequenas Cíclades do Egeu. (Talvez Ulisses estivesse apenas a fingir que queria voltar para casa…)
Com o vento norte, denominado meltemi, banhando-nos com o seu ar frio, o Express Skopelitis (que nada tem de expresso) manobra em redor de Keros, uma ilha desabitada que, em tempos, se pensa ter acolhido um portão para o Hades, e passando por Kato ou Koufonisi (Inferior), lar de ovelhas e de um ou dois pastores, uma igreja ortodoxa e algumas das mais isoladas praias gregas. Estas e outras ilhotas das Pequenas Cíclades, o nome dado a este arquipélago, foram reduto de piratas durante os séculos de domínio turco e sempre estiveram fora dos roteiros. A escassez de recursos conspirou para abrandar o desenvolvimento e manter um número modesto de visitantes, embora o contingente de gregos conhecedores que aparecem todos os anos seja cada vez maior.


Igreja de São Jorge, na vila de Khora, Koufonisi,
Pano Koufonisi (Superior), onde estamos prestes a atracar, é a mais povoada das Pequenas Cíclades, com 366 residentes permanentes, a maioria dos quais pescadores. É também a mais cosmopolita, com cafés, bares, lojas de roupa de praia, dois pequenos supermercados e alguns hotéis modestos numa faixa de terra com vista sobre o porto. Duas horas após a saída de Naxos (o ponto de partida para a minha viagem), chegamos ao porto de Khora, o único povoado da ilha.

Cerca de quinze proprietários em busca de inquilinos correm para receber o nosso barco. Empunham fotografias plastificadas dos hotéis e quartos privados que arrendam. Regateio com Stamatis, o dono do Hotel Aeolos. Chegamos a acordo num preço e salto para a sua minivan, na qual faço a viagem de cinco minutos morro acima. Pano Koufonisi é montanhoso e as suas poucas estradas asfaltadas, acidentadas e curvilíneas e cheias de subidas e descidas, são perfeitas para caminhantes enérgicos, mas tudo menos ideais para ciclistas. (Apesar disso, um café nos arredores da vila faz negócio com o aluguer de bicicletas de montanha.)

Os meze, ou mezédes (entradas tradicionais), e o peixe fresco estão em todas as ementas e são, em geral, servidos com ouzo, a bebida típica; loja em Pano Koufonisi, a mais cosmopolita das Cíclades; e o azul das cúpulas

Ansioso por andar e pôr o pé na areia (a ilha tem oito praias), parto do Aeolos na manhã seguinte e inicio uma caminhada de vinte minutos por uma estrada de macadame estreita, que, supostamente, me conduzirá à praia de Finikas – segundo o meu guia de bolso, o santuário mais próximo para os adoradores do sol. Não sei como, consigo perder o meu destino (longe da vila não existem sinais, nem pessoas a quem pedir indicações), e acabo por subir colinas ventosas e banhadas pelo Sol. A rocha bege manchada apresenta-se coberta por arbustos espinhosos e erva seca e a minha única companhia são cabras e ratos velozes, lagartos escaladores e alvéolas esvoaçantes. Após a recente vaga de calor, as temperaturas clementes que se instalaram no dia anterior reanimaram a paisagem e impregnaram-na de vida. Não foi por acaso de que os gregos antigos povoaram o seu mundo com os deuses caprichosos da physis: Éolo, deus dos ventos; Poseidon, do mar; e Deméter, das colheitas. Caminhando em Pano Koufonisi, sinto-me como um convidado privilegiado no seu domínio.

Os moinhos são uma presença constante na paisagem rural da Grécia. Muitos estão já transformados em restaurantes e bares
Com o vento a cantar-me aos ouvidos e uma nuvem ou outra lançando sombras sobre o mar, lá em baixo, desço até à praia de Pori, numa enseada na costa setentrional de Koufonisi. Em quarenta minutos, atravessei quase toda a ilha. A areia é dourada e fina, sem seixos nem pedras, como acontece com frequência na Grécia. Pouso o meu mypsatha (tapete de praia em palhinha) e mergulho nas águas verdes-azuladas espumosas, que aqui são pouco profundas e quentes. Estou quase só. Várias vezes por dia, uma lancha traz passageiros do porto até um cais a cerca de cem metros de distância, mas a sua chegada é só daqui a algumas horas. Estendido sobre o meu tapete, ouvindo as aves, percebo que a solidão não é apenas a ausência de pessoas, mas a presença reconfortante e animada da natureza, que torna esta paisagem ressequida mais suave para os sentidos. Pela primeira vez em anos, estou tão descontraído que nem me lembro qual o dia da semana.

Nessa noite, de volta a Khora, desço aquilo que parece ser a rua principal: uma rua pedonal que serpenteia entre casas caiadas de branco, cobertas de pétalas violeta caindo dos ramos pendurados das olaias. Um cantiga onírica de sonoridade latina com as palavras “Ay Ay Ay! Puerto Rico!” atrai-me para o Astrolouloudo (“Flor das Estrelas”), um café que se assemelha a uma gruta iluminada, com almofadas cor-de-laranja dispostas sobre sofás em madeira, prateleiras decoradas com cópias de antigas estatuetas gregas e egípcias, conchas e fotografias em tons sépia de gente da ilha, sem dúvida já falecida. Há reproduções de quadros do Renascimento penduradas entre pedaços de madeira flutuante e uma ânfora com um metro de altura coberta com um tampo em pedra serve de mesa junto ao bar. O espaço parece quase demasiado bem concebido para se enquadrar aqui – pelo menos quando comparado com os tradicionais cafés e ouzerias da ilha, poisos com mobílias espartanas poeirentas e menus simples (ouzo, Metaxa, polvo e frappedakia, ou café gelado açucarado) que servem sobretudo homens mais velhos. Não demoro a encetar uma conversa com o dono, decorador e empregado de bar do café: um homem de cabelo entrançado chamado Manolis Tsavaris. A sprezzatura do seu visual e do interior do Astrolouloudo leva-me a perguntar se já viveu em Atenas ou no estrangeiro, mas ele diz-me que nunca saiu de Koufonisi, excepto em férias. “Criei o ambiente com aquilo que havia em meu redor”, explica. “Aquela ânfora, por exemplo, veio de Keros.”

Embora a pesca continue a ser a principal fonte de rendimentos, a prosperidade trazida a Pano Koufonisi pelo turismo contribuiu para evitar que os insulares emigrassem para Atenas, abrandando uma tendência de décadas, comum noutras zonas rurais da Grécia. À nossa volta, anciães misturam-se com turistas, gregos e estrangeiros. Até velhos lobos-marinhos, que poderiam manter-se isolados, se avistam entre os clientes de Manolis. Além disso, o Astrolouloudo já tem concorrência num café situado mais acima, na mesma rua: um bar encantador construído numa antiga escola em pedra recuperada e adequadamente chamado Scholio.

Volto a descer a rua principal, que, apesar da hora tardia, está cheia de crianças a brincar à apanhada e adultos a conversar, aproveitando a brisa nocturna. A estrada que liga a zona antiga de Khora à nova – onde fica o meu hotel – atravessa um campo escuro. Ondas movidas pelo meltemi rebentam contra a costa e o vento sopra, choroso, por entre os pinheiros, como um canto fúnebre de eras passadas. Olho para cima. O céu é uma cortina azul cobalto polvilhada pela poeira estelar da Via Láctea.


O Skopelitis transporta-me sobre as águas azuis escuras até Schinousa, uma ilhota montanhosa em forma de cunha, maior, mais acidentada e mais pobre do que Pano Koufonisi. Menos povoada, tem três aldeias rústicas e 16 praias resguardadas, a maioria das quais apenas acessível a pé. A electricidade só chegou em 1983 e ainda hoje há poucas estradas asfaltadas. Os pastos centrais de Schinousa alimentam animais de criação, o que contribuiu para dar à ilha uma certa reputação pelos seus queijos de cabra, tanto de pasta dura como de pasta mole, e boa carne de porco e vaca. Aqui, a comida interessa- -me mais do que o Sol. A gastronomia grega é frequentemente considerada primitiva quando comparada com a dos seus vizinhos mediterrânicos, mas, na sua simplicidade, podemos sentir a história e a alma dos gregos. Esta história permitiu-lhe poucos luxos e impôs-lhe muitas restrições, nenhuma das quais impediu as pessoas de saborear elementos e bens primordiais tão puros que, nas palavras do escritor Nikos Kazantzakis, funcionam como “liturgia espiritual… as matérias-primas da alma.”

Depois de falar com Stefanos Kovaios, um velhote barbudo que me recebe junto ao barco com outros proprietários, arrendo um quarto na Pension Galini, em Khora (um nome comum entre as aldeias principais das ilhas do Egeu), acima do porto de Mersini. O meu quarto fica no segundo andar e revela-se básico mas agradável: branco imaculado, com uma enorme janela que se abre para um jardim repleto de flores e, mais adiante, cabras pastando nos campos circundados por rochas com oliveiras reluzentes e roseiras bravas. Dizer que o meu quarto apanha a brisa seria um eufemismo: por vezes os ventos são tão fortes que as portas abertas da pensione se encontram fixadas às paredes. Deixar uma porta bater, não tardo a descobrir, é capaz de acordar as harpias no Hades.

Khora tem basicamente uma rua principal asfaltada e algumas transversais. Em frente à mistura desordenada de casas caiadas e lojas de pais-e-mães, aldeães envelhecidos pelo sol sentam-se em bancos, contando boatos, suspirando e mexendo nos seus cordões de contas de vidro, os komboloyi. Muitos jovens partiram em busca de trabalho no continente.

Paro no Vegera, um restaurante de aspecto caseiro por detrás de uma treliça coberta por trepadeiras que esconde uma varanda com mesas e vasos de flores. Tenho ansiado por um prato em particular: costeletas de borrego grelhadas em carvão.


“Tem paidakia?”, pergunto à proprietária, uma mulher robusta que está sentada cá fora.

“Pois claro que sim. Só que agora não.”, responde-me com naturalidade.

“Porquê?”, volto a indagar sem entender.

“O cozinheiro é o meu marido e ele ainda não voltou dos campos. Mas volte às sete horas. Vai sentir o cheiro das costeletas a grelhar!” Faço o que me mandam, mas não cheiro nada. “Ainda não há costeletas?”


“Claro que não. É a época de os animais nascerem e o meu marido deve estar a ajudar uma cabra a parir. Mas ele não deve demorar. Sente-se.”

A relaxar num café junto à praia de Pori, em Koufonisi. A simplicidade alia-se ao silêncio e à beleza nestas quatro pequenas ilhas
Por volta das nove horas, um tipo saltitão chamado Antonis aparece e desculpa-se: “Tive uma emergência com os animais. É a época dos nascimentos, sabe como é.”

Ele começa a mexer num grelhador na rua, ao lado de vários automóveis estacionados. De mangas arregaçadas e olhos vivos, ele grita com os condutores para tirarem dali os veículos ou arriscarem-se a que eles peguem fogo: “Estou a cozinhar. Não posso correr o risco de uma fagulha saltar e provocar um incêndio!” Trinta minutos depois, Antonis despeja meia dúzia de costeletas chamuscadas no meu prato. Ele estala os dedos e a sua filha adolescente traz-me um copo de vinho tinto da casa fresco e um pires com uma fatia de ksinomizothra (um queijo de cabra amanteigado, de sabor mais pungente do que o feta, e uma especialidade de Schinousa). Começo a comer ao som de uma gravação de bouzoukis que dedilham uma canção sobre amores não correspondidos. Foi o próprio Antonis quem criou os borregos, em pastos nos arredores da aldeia, e o queijo é feito com o leite das suas cabras. Quando termino, ele oferece-me outra especialidade local: uma dose do suave e adocicado rakomeli, de sabor a mel, por si destilado. Este tipo de hospitalidade está a desaparecer de muitos sítios da Grécia, mas não daqui.

Na noite seguinte vou até ao Deli Sweet Bar, um bar à beira do penhasco com amontoados de flores roxas animando um interior totalmente branco, quase escandinavo, único em Schinousa. Em frente a um enorme televisor de plasma, um pequeno grupo de turistas australianos discute o itinerário do dia seguinte. O empregado de bar, maître d’ e co-proprietário Dimitris Pepodekis parece vestido para andar de iate, com o colarinho do seu Izod branco revirado e o cabelo iluminado por madeixas louras. Ele oferece-me um copo frio de Mihalaki, um suave tinto de Creta, e pára para conversar um pouco. A sua mulher é de Schinousa, mas ele é originário de Creta. Inspirado pelo desejo de criar algo contemporâneo, mas grego, ele e os seus sócios impregnaram o Deli com uma sofisticação fashion. A empregada de mesa não tarda a trazer-me um prato com tomatinhos minúsculos, pão escuro, fatias de pepino e feta. Sento-me na varanda, com vista sobre os moinhos e as ilhas dourada pelo sol poente.


simples, mas sempre colorida e saborosa gastronomia grega; barco de pescadores em Iraklia; e um velho lobo-domar de Schinousa. Com as suas poucas estradas asfaltadas, as Pequenas Cíclades são feitas para andar, a não ser que alugue uma moto no ferry, como estas duas raparigas em Schinousa. Piscina do Aeolos Hotel, em Koufonisi.

Agios Georgios é um minúsculo lugar com casas caiadas de branco e debruadas a azul, o único povoado à beira-mar de Iraklia – o maior das Pequenas Cíclades, em termos de território, embora conte apenas com 115 residentes, e o meu próximo ponto de paragem. Atracamos no porto – um molhe, na verdade – a meia dúzia de metros da praia de areia da vila, cuja zona superior se encontra à sombra de uma falange de pinheiros balouçantes. Dominada pelas encostas do monte Papas, com 426 metros de altitude, Iraklia é a ilha mais cénica do arquipélago, com caminhos pedonais permitindo longas caminhadas, frequentemente por escarpas solitárias sobre o mar, grutas revestidas por estalagmites, um par de moinhos históricos e umas quantas igrejas oitocentistas por explorar.

Devido ao seu número reduzido de habitantes, Ikralia é a mais perfeita das Pequenas Cíclades para caminhantes que apreciam o isolamento. Subo por um caminho do lado ocidental das encostas, muito acima do mar, e dirijo-me à Gruta de São João. A gruta é uma desilusão. Os pastores arruinaram o sítio com os seus rebanhos. Mas a caminhada oferece vistas gloriosas do mar Egeu e das ilhas em redor “banhadas em luz, um véu diáfano de neblina fina cobrindo a nudez eterna da Grécia”, tal como Kazantzakis escreveu.

Prossigo pelo caminho, passando por entre figueiras-da-Índia e arbustos de tomilho, até chegar a Panagia, uma aldeia a cerca de 1,5 quilómetros para leste, aninhada entre campos de cultivo em socalcos e muros de pedra. As cabras que ali pastam berram, alarmadas, quando me aproximo. No café, os velhotes estão sentados em cadeiras de madeira que chiam enquanto mulheres vestidas de preto acenam com as mãos, bebericam frappedakia, e contam as notícias do dia, dizendo “Po po po!” (uma exclamação intraduzível de ligeira consternação), enquanto tomam conta de crianças pequenas. Continuo em busca da praia perfeita das Cíclades. Venho a encontrá- -la em Livadi, do outro lado da colina de Agios Georgios. Emerjo, escorrendo água, do mar frio e sou acariciado por uma brisa quente. Percebo então que estou sozinho numa extensão de quase um quilómetro de areia fina como pó, mesmo por baixo de uma fortaleza helénica em ruínas e de um campo de cardos. Talvez, diz-me o mapa, os baluartes se ergam sobre um templo a Zeus e um santuário a Tique (Acaso, uma das Moiras da mitologia grega), mas ninguém tem a certeza. Existe qualquer coisa icónica, quase onírica, na cena: uma praia grega banhada pelo Sol, um templo na encosta, emblemático de uma civilização passada, mas servindo agora como flauta dos ventos ascendentes, um ninho improvisado para as alvéolas.

Donousa, cuja população mal atinge os 110 habitantes, é a mais distante das ilhas e a minha última paragem nas Pequenas Cíclades. Segundo o mito, foi aqui que Dionísio escondeu Ariadne, depois de ela ter sido abandonada em Naxos pelo seu amante Teseu, o matador do Minotauro. Os gregos associam pouco mais à ilha montanhosa, embora ela esteja a desenvolver um certo cachet devido ao ambiente boémio de Kedros e outras praias que permitem acampar e nadar de forma naturista.

Gala, em Pano Koufonisi. É uma das muitas praias desertas das Pequenas Cíclades, ao contrário do que acontece nas ilhas gregas mais conhecidas
Cerca de 30 passageiros, entre os quais eu, sentam-se no convés balouçante do Skopelitis. Dez minutos após a largada, o nosso barco chega a águas profundas e o mar começa a ficar batido, atirando-nos contra ondas provocadas por um vento nordeste cada vez mais forte. A fúria de Poseidon e Éolo! Uma hora depois, a maioria das pessoas exibe um aspecto verde acinzentado, transpirado e doente, salvas da desgraça total por sacos de plástico azuis, que eu, imperturbável, ajudo a distribuir. Independentemente da forma como surgiram, as ilhas continuam à mercê dos elementos cantados há milénios pelos poetas gregos.

Pouco depois, o santuário rochoso de Donousa ergue-se sobre as ondas e a vila portuária de Stavros, minúscula até pelos padrões das Pequenas Cíclades, torna-se visível. Descemos do barco entre uma multidão de pessoas que nos viram atravessar as ondas. Uma jovem loura chamada Kaliopi, cuja t-shirt branca justa exibe as palavras “I’m Young and Free”, diz-me que tivemos muita sorte em ter chegado a terra. Ela oferece-me um quarto nos arrabaldes da vila e eu aceito. Por idílica que a minha estadia nas ilhas tenha sido, começo a sentir a falta de alguma vegetação – folhas sem espinhos, árvores sem agulhas, erva que não pique. Em busca do verde, alugo um táxi – talvez o único da ilha – para empreender a tortuosa viagem de oito quilómetros até à aldeia de Mersini. Ali, um caminho íngreme e mal asfaltado leva-me à principal atracção não marítima de Donousa: uma nascente que irrompe da encosta rochosa do Monte Vardhia, por baixo de um plátano gigantesco.

O meltemi agita as folhas. Sento-me sob a árvore, no banco construído no muro de pedra que circunda o pátio de mosaicos. Sinto-me rejuvenescido, em paz, com os sentidos embalados pelo vento, o ar fresco, o aroma das flores silvestres e a água borbulhante. Uma senhora de idade, com um lenço na cabeça e coxeando apoiada numa bengala, emerge de entre os caniçais com uma saca de ervas acabadas de colher. Trocamos cumprimentos – eu animado, ela reticente. Ela passa por mim, lançando-me um olhar cauteloso, e desaparece pouco depois.

Viro os olhos para o mar lá em baixo, cujo azul-turquesa é interrompido pela espuma das ondas. Rendi-me aos encantos retemperadores das ilhas. Tal como Kazantzakis disse, “a felicidade é uma coisa simples e genuína: um copo de vinho, uma castanha, uma braseira humilde e o barulho do mar.” Acordo todos os dias sem desejar mais do que inspirar o ar salgado do mar e sentir o Sol no rosto. É isto mesmo: a total tranquilidade que eu procurava. Fecho os olhos e deixo a minha respiração abrandar. Para mim, o tempo parou.


QUATRO ILHAS GREGAS NO MEIO DO AZUL
A recompensa por visitar as distantes Pequenas Cíclades é a experiência pacífica da vida insular grega, tal como existe há séculos. Reserve muito tempo para a viagem – o seu ponto de partida é a ilha vizinha de Naxos ou Amorgos – e esteja preparado para improvisar. A época estende-se de Maio a Setembro. O clima é mais quente em Julho e Agosto – e os preços são mais altos. Excepto em Agosto, costuma ser possível regatear: considere os preços afixados como ponto de partida.

A maioria dos proprietários de hotéis e enoikiazomena dhomatia (quartos para arrendar) recebem os barcos à chegada e mostram fotografias dos seus alojamentos ou esperam junto aos monovolumes com anúncios reveladores. Na época alta, contudo, convém reservar os quartos com antecedência.

Compre ou leve consigo pastilhas antimosquito e o respectivo aparelho de ligar à tomada, bem como um livro com frases traduzidas para grego. A familiaridade com o alfabeto grego ajuda a ler os sinais, que mesmo nos hotéis podem apresentar-se escritos em grego. Cada ilha tem um ou dois telefones públicos. Se não estiverem avariados, funcionam com cartões pré-pagos (tilekartes). A rede móvel é muito irregular. Parte do encanto das ilhas é a quase ausência de automóveis, carrinhas e autocarros. Planeie as caminhadas para o princípio ou para o fim do dia e mantenha-se nos trilhos – fora deles, abundam espinhos e pedras de arestas afiadas. Minor Cyclades oferece um mapa inigualável com os trilhos e as melhores vistas (Skai Map No. 312 em terrainmaps.gr). As várias estradas serpenteantes não apresentadas nos mapas podem confundir os turistas, já que era essa a sua intenção original: foram concebidas para enganar piratas invasores.

Umas palavras sobre etiqueta: o nudismo é proibido nas praias das vilas, mas tolerado em praias mais isoladas. Nas vilas, até o uso de calções e camisolas de alças pode suscitar olhares de censura. Enquanto estrangeiro, espera-se que cumprimente as pessoas primeiro: yia sas! é a saudação mais simples.

Os tempos em que o peixe e o marisco eram baratos fazem parte do passado. O peixe mais caro é o barbounia (salmonete), entre €45 e €60 o quilo. O mais barato é o kolios (carapau), a €15 o quilo. Se pedir um copo de ouzo (bebida com sabor a anis que fica com aspecto leitoso quando se lhe adiciona água) ou rakomelo (bebida alcoólica servida quente, com mel e especiarias) num bar, os mezedhes (entradas) de lula e polvo que o acompanham costumam ser grátis. Cabra, borrego e vitela (criados localmente) também se destacam nos menus.

O código telefónico da Grécia é 30.
Os preços mencionados referem-se à época alta de 2011.


  COMO IR
A TAP (www.flytap.com) iniciou em Junho uma lição directa entre Lisboa e Atenas por tarifas a partir de €211. Uma vez na capital grega poderá apanhar um voo doméstico da Olympic Air (www.olympicair.com), por exemplo, para a ilha de Naxos. Cada trajecto poderá custar cerca de €70.
Os voos para Naxos não são fiáveis devido aos fortes ventos estivais. Os ferries e os hydrofoils são as ligações salva-vidas entre as ilhas: verifique os horários e os tempos de viagem, que variam consoante o barco e o número de paragens, e reserve as passagens em Atenas. Passe alguns dias em Atenas antes e depois de navegar pelo Egeu. O agradável St. George Lycabettus Hotel situa-se acima de Atenas, no elegante bairro de Kolonaki (www.sglycabettus.gr; diárias a partir de €103).
  COMO CHEGAR VINDO DE NAXOS
Os barcos para as Pequenas Cíclades partem da ilha de Naxos, com 430 metros quadrados.
Pode comprar bilhetes para viajar no próprio dia junto dos agentes localizados no próprio porto, como a Zas Travel, que também fornece mais informações e permite reservar ferries on-line em zastravel.com (tel. 22850-23330). Ou então, passe uma noite no agradável Hotel Coronis, junto ao mar (www.hotel-coronis.gr; duplos a partir de €47).
O governo grego subsidia as tarifas dos barcos para as ilhas pequenas e um bilhete para o Express Skopelitis, que viaja entre as Pequenas Cíclades custa apenas cerca de €7. Os horários, sobretudo dos hydrofoils, estão sujeitos ao estado do tempo
.
Irá precisar de muitos euros e é melhor arranjá-los em Naxos. As Cíclades também aceitam cartões de crédito e existem algumas caixas de levantamento automático, mas não são fiáveis.
Os Traveler’s Checks também devem ser trocados em Naxos, por exemplo na Naxos Tours (tel. 22850-23043).


IRAKLIA
ONDE DORMIR

Os barcos atracam no portinho abrigado de Agios Georgios. A maioria dos quartos para arrendar fica na colina acima da vila. O único hotel, o Aiolos, tem quartos agradáveis, mobilados com simplicidade, equipados com AC e com vistas esplêndidas sobre as ilhas vizinhas (www.aiolos-iraklia.gr/en; duplos entre €55 e €85).
Anna’s Place, mesmo acima do hotel, tem quartos bastante engraçados, dispostos em torno de um jardim e uma cozinha ao ar livre (tel. 22850-74234; quartos duplos entre €40 e €70).


ONDE COMER E O QUE VISITAR
O Psarotaverna Akathi, a cerca de 30 metros da praia, serve todo o tipo de pratos tradicionais gregos (tel. 22850-71118; pratos principais €9-€14). Mesmo por trás, fica a Periyali, uma loja de comércio tradicional que vende acessórios de praia. Pode apreciar a comida e a vista na Taverna Maistrali, no alto da estrada principal (tel. 22850-71807; pratos principais €6-€9). A Praia de Livadi fica a 1,5 quilómetros do porto. O acesso faz-se a pé. Planeie o passeio de modo a parar no terraço do Makuba’s Bar and Restaurant para comer ou beber qualquer coisa (pratos principais €6-€9). Se quiser aventurar-se mais acima, apanhe o autocarro (excepto ao domingo) em Agios Georgios para Panagia (Vila Superior), um povoado tradicional a partir do qual pode fazer uma caminhada de uma hora por um trilho mal assinalado até à Gruta de S. João (Agios Ioannis), escondida numa ravina isolada sobre o mar.

DONOUSA
ONDE FICAR
Por ser a ilha que se situa mais longe de Naxos, Donousa é a que atrai menos turistas. Os barcos atracam em Stavros, que não tem hotéis. Arrendei um quarto a Antonis Markoulis (tel. 69774- 62599; quartos duplos por €45), mas pode também conseguir um na casa de Maria Prasinou (tel. 6936-175770; duplos €38-€60) e na Taverna Iliovasilema, que tem uma vista esplêndida do mar e, evidentemente, um restaurante (tel. 22850-51570; e-mail iliovasilema_apts@greekhotel.com; quartos duplos entre €40-€55; pratos principais €4-€20).

ONDE COMER E O QUE VISITAR
Jantar em Stavros significa tabernas à beira-mar, como a Kapetan Giorgis, mesmo acima do posto de venda de bilhetes para o ferry (tel. 22850-51867; pratos principais €4-€9). Com as suas paredes de pedra, uma boa selecção de bebidas alcoólicas e varanda, o Café Skantzokiros, situado mesmo por cima do porto, é um belo sítio para tomar uma bebida ao pôr- -do-sol (tel. 22850-51880). Junto ao molhe, um mapa de Donousa (disponível apenas um grego) mostra as poucas vistas da ilha. Na limpa e transparente Nascente de Mersini, no alto de uma estrada serpenteante de oito quilómetros que parte da praia da vila, encontrará uma rara sombra. Pode alugar um táxi para a viagem, a subir, de 20 minutos (tel. 69721-89488; €7). Depois desça calmamente a pé, parando na igreja de Agia Sofia, que oferece vistas belíssimas sobre o Egeu. Acima da nascente, em Mersini, a Taverna Tzi-Tzi serve refeições e uma ampla selecção de vinhos gregos, por cerca de €18 a garrafa (tel. 6973-207569; pratos principais €7-€9). O passeio de volta até Stavros é fácil, a descer e dura cerca de uma hora. De caminho, passará por Kedros, que tem uma praia de areia, um café e um parque de campismo básico, onde pode beber uma cerveja e saborear o ambiente mais descontraído da ilha.

SCHINOUSA
ONDE FICAR

Os banhistas conhecedores gostam desta ilha, a menos desenvolvida das Pequenas Cíclades, devido às suas várias praia de areia, cujo acesso apenas se faz através de estradas e trilhos pedonais relativamente bem assinalados. Fountana é uma praia particularmente agradável. Os barcos atracam no porto de Mersini, abaixo de Khora, onde se situa a maioria dos alojamentos. Localizada nos arrabaldes de Khora, num morro com vista para a Praia de Tsigouri, a Grispos Villas é por vezes gerida de forma caótica, mas tem quartos limpos e bem arranjados com ar condicionado e um restaurante com uma vista espectacular (tel. 22850-71930; www.grisposvillas.com; quartos duplos entre €65 e €90; meia-pensão por mais €14). Mais conveniente e mais bem equipado (embora sem restaurante) é o Iliovasilema, a dois quarteirões da rua principal de Khora (iliovasilemahotel.gr, tel. 22850-71948; duplos €40 e €55). A tranquila Galini Pension, no extremo de Khora, não dispõe de ar condicionado, mas os quartos apanham a brisa do mar (tel. 22850-71983; quartos duplos entre €80 e €95).

ONDE COMER
O Restaurante Vegera (pronuncia-se ven-GHE-ra) serve reconfortantes pratos tradicionais. Se estiver interessado em comer paidakia (costeletas de borrego grelhadas no carvão) ou determinados tipos de peixe, passe por lá antecipadamente para saber se serão servidos nesse dia (tel. 22850-74225; pratos principais €7-€9). O elegante Deli Sweet Bar, com restaurante no segundo andar, é um bom sítio preferido para comer e beber, graças às suas maravilhosas vistas para o mar (tel. 22850-74278; pratos principais €7-€9).

KOUFONISI
ONDE FICAR

O sítio mais caro para ficar é o Aeolos Hotel (aeoloshotel.com; tel. 22850-74206; duplos a partir de €100). Situado sobre a vila, tem quartos fabulosos com ar condicionado, kitchenette e TV por satélite TV. O pequeno-almoço – a única refeição – é servido junto à piscina A cinco minutos de distância, em direcção ar mar, ficam os igualmente razoáveis Atlantida Hotel (tel. 22850-71691; www.hotelatlantida. gr; duplos desde €75) e Paradise Resort Hotel (tel. 22850-72015; www.paradisekoufonisi.gr; duplos a partir de €110).

ONDE COMER
Na Taverna Rementzo, acima do porto, as soutsoukakia (almôndegas fofas) e o skordalia (uma espécie de puré de batata com alho) são bons e enchem bastante (tel. 22850-74203; pratos principais €6-€9). Mais orientado para os autóctones apreciadores de peixe e marisco, o Kapetan Nikolas é mais simples. O melanouri é um peixe agradável que se desfaz em lascas (cerca de €14 uma dose) e uma boa alternativa ao salmonete. Acompanhe o seu empregado de mesa até à cozinha, escolha o seu peixe e veja-o pesá-lo antes de o entregar ao cozinheiro (tel. 22850-71690; pratos principais €6-€9). Para tomar uma bebida num ambiente que combina a Grécia antiga e a moderna, experimente o Astrolouloudo (tel. 22850- 74438). O encantador café/bar Scholio, ao fundo da rua, serve crepes e gelados e é gerido por dois amáveis artistas que expõem as suas pinturas oníricas (tel. 22850-71837).

A VISITAR
Há praias fantásticas e isoladas em abundância. A partir da praia da vila, caminhe para leste pela estrada costeira. A partir de Finikas, siga pelo trilho até à estrada principal, que leva às areias varridas pelo vento da praia de Pori. O Café Pori fica mesmo junto à areia. O Marigo, uma velha chalupa, faz várias viagens por dia entre Khora e Pori, parando em Finikas – conveniente quando estiver farto de andar (tel. 6945-042548; ida e volta, €5 por pessoa). Ou então, alugue uma bicicleta de montanha na Vartan’s, na estrada de Finikas (tel. 6973-211829; €5 por dia), para percorrer os montes e sentir o calor do sol e as rajadas de vento. Embarque no Marigo rumo a sul para Kato Koufonisi (viagem de ida e volta, €5,5 por pessoa). Na primeira paragem encontrará um café, a poucos passos da Praia de Lakki. Na segunda paragem, a Praia de Nero, há ouriços do mar, que podem ser difíceis de ver – calce chinelos de borracha.
 
Texto de Jeffrey Tayler | Fotografia de Julien Capmeil .